A única coisa que te deve influenciar (de verdade) é o teu conforto!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

 



Trabalho em lingerie já há alguns anos - muito antes da Colchete ter nascido e muito antes do boom das redes sociais. A última trend 2016 vs 2026 é para meninas ... pensem um bocadinho mais lá p'ra trás sff! Sou do tempo em que o filtro de instagram mais usado era o Lo-Fi, aquele escuro com aspecto vintage que acrescentava sombras e drama à vida quotidiana. Parecíamos estrelas de cinema amarguradas...


Que as mulheres têm imensa dificuldade em reconher as suas proporções isso não é novidade. É o maior desafio do aconselhamento especializado de lingerie e a razão principal pela qual ele existe. O que me espanta - e de uma forma chocante - é a quantidade de produtos, truques e "soluções" em que as pessoas acreditam. Basta abrirmos as redes sociais para sermos bombardeados com uma imensidão de alternativas que na realidade não funcionam (mas fazem crer que sim). E nisto, as redes sociais são péssimas. Vaticino - não só eu, como todos os que se dedicam a estudar tendências e marketing - que a era dos influenciadores está a acabar. O fake deixou de ser moda. 


Ora a maioria das pessoas que recomendam produtos, recomendam-nos porque estão a ser patrocinadas para isso. Manda a boa educação não falar-se mal de algo que nos foi oferecido. O grande problema não é esse, o grande problema é que quem patrocina os influenciadores também não os sabe escolher (pelo menos do ponto de vista que para mim seria a estratégia mais honesta). 


Estou cansada de ver senhoras com mamas generosas a fazerem publicidade a soutiens com enchimento (como se elas precisassem!); meninas com implantes mamários ou com mamas reduzidas a recomendarem soluções irreais para quem quer usar roupas sem soutien; mulheres com costas estreitas e mamas volumosas a vestirem soutiens completamente errados; gente a correr e a praticar desporto sem suporte e sem protecção... médicos cirurgiões plásticos a falarem de copas como se soubessem quantas existem e que volume na realidade representam... É tudo tão assustador!


Os corpos reais são muito mais complexos do que o marketing! E são muito diferentes daqueles que mais representados no social (sim, existe mais diferenciação do que a que existia antes, no tempo dos filtros vintage, mas o sistema continua bastante restrito). A imensidão de marcas que se dizem inclusivas sem o serem é uma coisa que me deixa imensamente triste. Uma marca que não tem soutiens para além da copa D não é inclusiva... mas uma marca que tem muito capital pode vender-te essa ideia para que tu continues a gastar dinheiro em coisas totalmente desadequadas para ti.


Cuecas com pêlos? Soutiens com mamilos salientes? Bodies com enchimento nas coxas e no rabo? O mercado está constantemente a dizer-nos que nunca estamos bem e que aquilo com que nascemos não é suficiente, nem trendy, nem actual. Que CAN-SA-ÇO! Isto tudo para vos dizer, resumidamente, que o que realmente importa é: a única coisa que vos deve influenciar a sério é o vosso conforto! 


Espero que enquanto estão sentadinhas nos sofás a consumir conteúdo também consumam isto e pensem nestas palavras. Aquilo que não funciona, nós não recomendamos. Pode não ser a filosofia mais cool - acreditem, nós sabemos o quanto um "não" pode ser irritante - mas é a mais verdadeira. A mais verdadeira para quem trabalha com gente de carne e osso. 

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